sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

To quase...

Ainda tenho muito chão pela frente, mas tenho consciência de que realizei um passo grande em minha vida. Para aqueles que não me conhecem: toco violino desde 1996, porém fiz aulas até 2002, e então continuei tocando apenas na Orquestra Filarmônica Nazarena Central. De lá pra cá, muita coisa tem acontecido na minha vida, coisas boas como ruins, e são esses acontecimentos que fazem a minha vida continuar em frente, sem mesmo eu saber qual será o rumo que tomará amanhã. Sempre no erudito, me aventurei num estilo um pouco diferente do habitual: entrei numa escola onde a maioria aprendia guitarra e, por consequência, rock! Esta foi, sem sombra de dúvidas, uma das melhores experiências que eu já passei na minha vida. Aprendi muito, tanto com meus professores (já deixo um abraço para o Fabiano Negri, James Twin e o Tonhão, dono do jargão citado abaixo) como com meus amigos/colegas da escola e meus "irmãos mais novos" da banda Stalkers [muitas saudades desses caras!]. Nunca, em nenhum momento, eu quis trocar todos aqueles dias, porém eu tinha meu objetivo sempre em mente, e sabia que este poderia modificar a minha vida por completo.
Era final de 2008, uma quarta-feira, ainda estava sentado atrás de um computador em meu antigo emprego, quando resolvi entrar em contato com o pessoal da Escola Municipal de Música, em São Paulo. Conheci esta escola por meio de uma "colega de profissão" que toca cello ocasionalmente na OFNC. Não tive muitas esperanças, já que meu nível musical não é tão alto assim. Acabei entendendo como a coisa funcionava, e em outubro de 2009 fiz minha inscrição para tentar dar andamento num sonho que tenho desde os 8 anos de idade: tocar harpa!
Morrendo de medo resolvi encarar os testes. O primeiro até que foi bem tranquilo, porém o segundo teste exigia prática [ou solfejo para iniciantes no instrumento] - para quem não entendeu o que significa, clique aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Solfejo .Aliás, o dia do teste foi a 3ª vez que estava a menos de 1 metro de distância de uma harpa [as outras duas fram em uma apresentação da Sinfônica de Campinas e em um workshop realizado pela Katherine Michel, na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo].
Meu maior medo era este teste, porém acabei não realizando, o que me deixou encanado, porque estava me preparando para este teste, gastei mais de R$200,00 para ir e voltar de São Paulo várias vezes e não realizei o teste? Foi quando a avaliadora me passou a data da liberação da lista de aprovados: 11/02. Esperei por uma semana ansiosamente pelo resultado, quando descubro que havia sido aprovado!
A minha empolgação foi instantânea! A Néia [recepcionista da EMM] não sabia o que falar, a não ser me passar a data da matrícula [21/02]. Na mesma hora entrei em contato com minha mãe e irmã, que não estavam lá muito empolgadas com a notícia.
Eu até entendo o ponto de vista delas, mais pela minha mãe mesmo. Estou saindo de casa, e sou a única pessoa com quem ela tem contato diário. Após a saída da minha irmã de casa, eu percebo que ela tem se sentido muito mais sozinha que antes, até porque ela costumava conversar mais com a minha irmã a conversar comigo. Sou mais fechado para alguns assuntos, e outros ela se sentia mais à vontade de falar para uma mulher a falar para um homem, ainda mais sendo seu filho. Apesar de ter minha irmã por perto [muito mais perto do que eu imaginava] eu sinto que ela está mais distante, e eu estou no "cargo" de companhia para minha mãe. Sinto que sou a única pessoa que está servindo como "base" para ela.
Por outro lado, eu preciso mensurar minhas idéias também. Tenho meus sentimentos, meus pontos de vista, e não quero estar sempre na sombra de alguém. Quero ser independente, ser mais responsável e sei que não vou conseguir isso estando sempre à sombra de minha mãe, mas isso é difícil resolver, pois não quero "abandoná-la" assim, de repente. Por um lado eu tentei preparar o terreno para este dia, mas por outro eu fui amenizando os impactos e acabei estragando tudo.
Hoje, preciso encontrar um lugar para morar em São Paulo, e além disso preciso de um emprego por lá também. Eu estou vendo meu sonho cada vez mais chegar perto, e quanto mais perto ele está, mais eu o vejo escorrendo por entre meus dedos. Quase não estou tendo ajuda para procurar "meu primeiro imóvel", muito menos estou sendo estimulado à correr atrás do meu sonho: me sinto tocando em um concerto de natal, sozinho, com o violino desafinado e com 2 cordas. A porta por onde eu devo passar é muito estreita, mas eu sei que eu vou conseguir enfrentar tudo isso [que para mim está sendo novidade] e vou sair de cabeça erguida. Meu maior medo agora é de não conseguir encarar esse novo mundo e deixar à mostra minha "incapacidade" para todos.
Mãe: não quero magoá-la nem deixá-la triste. Pelo contrário, quero te ver orgulhosa de um dia poder dizer: estão vendo aquele harpista? ELE É O MEU FILHO! Um dia ele correu atrás de seus objetivos e conseguiu realizar seu sonho.
Não quero ser mais um frustrado no mundo. Quero aproveitar e enfrentar meus demônios enquanto ainda tenho tempo e lugar para onde voltar se tudo não passar de uma aventura. Quero aproveitar enquanto posso dar a cara à tapa. Quero um dia voltar pra casa e dizer: eu consegui! Quero que saiba, mãe, que eu também não gostaria de deixá-la sozinha, mas eu preciso fazer isso para amadurecer, crescer e ser independente.
A primeira postagem que eu fiz no blog foi de uma montagem que eu fiz enquanto trabalhava na mesma loja que citei neste post, e encontrei a figura no meu computador. Sempre que abro meu pc agora eu leio esta mensagem. Está perto de começar um caminho que talvez seja sem volta, mas que pode modificar toda a minha vida!

E para aqueles que seguem o jargão do Tonhão, eu respondo: HARPA??? HARPA SIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

hugs 2 all!

DOK

Um comentário:

Joao Florentino disse...

Filhote, aqui de longe e sem muita possibilidade de estar ai correndo, pra ajudar voce a conseguir vencer essas barreiras que fazem parte do caminho, eu fico em meio a um misto de orgulho, ansiedade e preocupacao com os passos seguintes, angustiado por nao poder facilitar as coisas pra voce. Quero participar disso de alguma maneira e na medida do possivel.
Talvez esse seja o maior "salto" da sua vida, vamos caprichar na dobra do paraquedas, vamos fazer isso direitinho, pra que a queda seja suave a pra que voce pouse exatamente no ponto onde tem que aterrisar, sem arranhoes, sem traumas, e com toda a experiencia possivel para a partir dai estar caminhando bem e seguro de que o que fez foi o melhor.
Algumas chances aparecem na nossa vida uma unica vez, as decisoes por vezes tendem a ser extremamente dolorosas e ou complicadas, mas tem que ser tomadas e de uma forma definitiva.
Voce tem a minha bencao e a minha mao mesmo que a uma distancia tao grande.
Beijo.
(Abba)